“Eles estão de parabéns porque levam o nome de Nova Veneza”. Esta é a frase que mais se ouve quando o assunto é entidades culturais do município. Ok, que representar bem a cidade em outros lugares do Brasil e do exterior é importante, não há dúvida. Mas precisamos urgentemente pensar fora desta caixinha.

O Grupo Folclórico, os corais e as bandas, por exemplo, têm tanta importância não por divulgarem Nova Veneza, mas por promoverem a dança, a música. A arte é libertadora. Faz com que enxerguemos o mundo muito além da bolha que nos aprisiona. Como coloca André Malraux, “a cultura, sob todas as formas de arte, de amor e de pensamento, através dos séculos, capacitou o homem a ser menos escravizado”.

Em sociedades mais conservadoras, as manifestações culturais, sejam de preservação e de memória, sejam de criação artística, são um caminho livre para o progresso do pensar. Não é à toa que em regimes ditatoriais a produção artística é sempre um inimigo a ser silenciado.

Pois bem, entendo que tanto nós, comunidade de forma geral, quanto nossos representantes precisamos pensar a cultura muito, mas muito além do “marketing” para o município. Que fique bem claro que, de forma alguma, esta é uma crítica à gestão A ou B, já que historicamente é assim que funciona. Inclusive acredito que não é um problema de má vontade ou falta de trabalho, mas de perspectiva mesmo, de forma de entendimento.

Sociedades desenvolvidas em todos os a aspectos sabem que não há como dissociar incentivo à arte e educação. Os dois caminham juntos. Sabem que centros educacionais e comunidade precisam estar em sintonia constante. Em cidades de maior porte, as universidades têm um papel fundamental no fomento da cultura. Aqui, as escolas, junto com a população, precisam caminhar também neste caminho. Até porque, o desenvolvimento de atividades culturais faz uma diferença imensurável na formação individual e coletiva.

Bom, esta é apenas uma provocação reflexiva. Entendo que este período de processo eleitoral é oportuno para que debates neste sentido sejam realizados. Precisamos pensar que tipo de sociedade queremos no futuro. Temos que falar de política (no sentido essencial da palavra). Mas, infelizmente, parece que contar carros em carreatas e distribuir picuinhas é mais importante.

Texto: Tadeu Ronconi Spilere