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Braulio Moraes Neto

Braulio Moraes Neto: Complexo de Vira- Lata

A expressão “complexo de vira- lata” é titulo de uma Crônica do nosso saudoso Nelson Rodrigues escrito nos anos 50 do século passado. Vamos a um pequeno trecho. “Por complexo de vira-latas entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. O brasileiro é um narciso às avessas, que cospe na própria imagem.” (Nelson Rodrigues).

E olha que o autor tem razão. Somos “bombardeados” vinte e quatro horas por dia escutando as pessoas falarem expressões que depreciam a imagem do brasileiro e conseqüentemente do Brasil em detrimento de exemplos mais expressivos daquilo que vem de fora. Pasmem, é o próprio brasileiro quem diz isso, em sua quase maioria.

Ótica NSA
Bicho Papão
Sindicato da Alimentação
Casa Savóia

Sabemos muito bem que o país sofre com muitos problemas das mais variadas formas. Penso que já foi pior. Se analisarmos o processo histórico da “jovem” nação brasileira, iremos encontrar períodos de certa estabilidade política e econômica, e outros nem tanto. Mas o importante é que nesse ciclo de altos e baixos, o Brasil vem se estruturando, ficando maduro. A democracia se consolidando e com isso um fortalecimento das instituições, com certo nível de autonomia. Só pra citar um exemplo podemos testemunhar a Polícia Federal com suas “Operações” fazendo um estrago naqueles ditos “intocáveis”.

Queremos um País melhor? Claro que sim! Que tal começar por mim, por você, por todos. Vamos reivindicar, protestar, cobrar de quem tem o dever e obrigação, mas também fazer nossa parte. Como? Penso que um dos primeiros passos seria dar valor a essa terra da qual pisamos e nascemos. Vamos parar de achar que só o que é de fora tem valor.

No período da ditadura militar (1964-1984), havia um slogan por parte dos militares que assim dizia, “Brasil ame-o ou deixe-o”. Vamos agora mudar essa lógica, vamos parar com esse complexo de vira-lata. Brasil amo sim, e vou ficar, serei mais um sujeito nesse processo de transformação.

Terminando, quero lembrar, que quando Nelson Rodrigues escreveu a crônica supracitada, dando uma “chacoalhada” no povo brasileiro, foi na ocasião do embarque da Seleção Brasileira para Suécia em 1958 em decorrência da Copa do Mundo naquele país. Pois naquele momento, o time e a própria sociedade brasileira estavam se sentido inferiorizado, traumatizado, pois haviam perdido a Copa do Mundo em 1950 em pleno Maracanã. Pois bem. O que aconteceu? Fomos campeões pela primeira vez na história. Somos ou não somos capazes?

Escrevendo essas palavras deu-me um ímpeto. “Terra adorada, entre outras mil, és tu Brasil. Ó pátria amada!”.

 


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