Colunistas

Aqueles lindos olhos azuis

Sento ao lado de sua cama e beijo seu rosto sereno, ela vira o rosto e sorri. Não sei se é pra mim ou para seus pensamentos. Vejo um par de olhos azuis, destituídos de sentimentos mundanos, são os olhos de Deus.

Quando vejo aqueles olhos perdidos sinto uma vontade louca de chorar mas tenho que engolir meu pranto para que ela não ouça. Sim, não ouvir meu choro, porque apesar dos seus olhos, seus ouvidos estão mais atentos do que nunca.

Olha o vazio, pergunto se está vendo a televisão que está ligado responde que sim, mas está virado para o lado contrário da Tv. Agora sufoco uma risada, que se afoga nas lágrimas contidas.

Não sabemos se enxerga alguma coisa, não temos certeza se está cega totalmente ou se deslumbra algum vulto. Pergunto se reconhece quem eu sou, diz que sim, mas não consegue pronunciar meu nome, tenta e se perde no esquecimento. Às vezes brincamos de erro e acerto e fingimos que ela acertou. Não insisto, apenas sorrio também.

Não consigo entender como alguém se conforma com uma situação destas? Não se queixa, nunca reclama de nada, não diz que está com fome ou se está com frio, não estranha o fato de não reconhecer as pessoas que a visitam ou que a rodeiam, apenas vive o momento.

Viver?  O que é viver? É ter um coração batendo e um corpo aquecido? Mesmo que este corpo não te obedece mais?

Este corpo tem na sua essência uma alma generosa, inocente, simples, caridosa com tudo e com todos, uma alma temente a Deus. A religião está sempre em primeiro lugar. Este corpo pertence à uma mãe, avó e bisavó muito amada por todos.

Sinto muita vontade de beijar seu rosto, e beijo; afagar seus cabelos brancos agora desprovidos de tinturas. É uma vontade que aflora de dentro do meu ser como se eu quisesse confortá-la de alguma maneira e protegê-la de algum mal.

Sinto muita vontade de estar perto dela, repito, não sei se ela sabe que é a Margarete que está ao seu lado.

Mas eu sei que ela é a minha irmã amada, minha irmã mais velha Elzi, figura humana que nos confortou quando perdemos nossa mãe, que de certa forma é a nossa mãe agora aqui na terra.

Ela sabe que a amamos muito.

Beijos a todos!

Maria Margarete Olimpio Ugioni

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