Por Francine Ferreira

Que Nova Veneza é uma das cidades mais turísticas do Sul catarinense e recebe visitas de muita gente, todo mundo sabe. No entanto, por conta da pandemia do novo coronavírus, que se espalhou por todo o planeta nos últimos meses, muitos moradores do município têm demonstrado preocupação com o fato de muitos turistas não respeitarem as normas de distanciamento social.

Em inúmeras publicações feitas anteriormente pelo Portal Veneza, diversos neovenezianos registraram depoimentos e enviaram fotos, receosos principalmente com a grande movimentação de visitantes que tem sido percebida aos fins de semana na Praça Humberto Bortoluzzi, na área central do município.

Dentre eles, está o do leitor Valter Leone Waterkemper. “Sou do grupo de risco, só saio de casa por necessidade e estou preocupado com o aumento de pessoas contaminadas pelo coronavírus em nosso município. No sábado precisei ir até a Cofanove, quando vi que na loja ao lado havia uma mesa com 11 jovens (turistas) bebendo, sem o afastamento recomendado e sem máscaras. E daí, como diz nosso ilustre presidente. O nosso pessoal está respeitando e o turista não é cobrado? Cadê a Vigilância Sanitária?”, indagou.

A leitora Lurdes Maria De Menech também deixou registrada a sua indignação. “Sou vizinha da praça, no domingo dia 3 de maio sentei na praça com amigas, mas não pudemos ficar, porque era muita gente e todos sem máscaras e sem proteção. Estou muito preocupada, estamos correndo graves riscos, só que as pessoas não estão levando a sério. Nos sábados e domingos não podemos nem mais sair de casa, pois foi aberto para os turistas voltarem à cidade. Não tenho nada contra eles, só que ao meu ver ainda não é hora, acho que teria que esperar mais um pouco. Estão botando em risco a vida dos munícipes, sei que bastante gente está descontente com isso”, completou.

O que diz a Vigilância Epidemiológica

Segundo atualização divulgada na manhã desta terça-feira, 19, Nova Veneza possui 17 casos confirmados da Covid-19 e um dos contaminados precisou ser hospitalizado, seguindo em isolamento no hospital Unimed, em Criciúma.

De acordo com o coordenador técnico da Vigilância Epidemiológica, Abel de Araújo, as pessoas ainda não estão acreditando que o vírus está chegando e há, sim, uma grande quantidade de pessoas se aglomerando sem a utilização de máscaras. “No domingo eu fui para Criciúma levar exames e quando estava voltando, me assustei com a fila de carros saindo de Nova Veneza. Quando cheguei me assustei mais ainda, porque tinha um micro-ônibus de excursão parado na frente da praça e muita gente”, acrescenta.

Diante da situação, o coordenador técnico da Vigilância Epidemiológica também demonstra preocupação. “O que eu peço é que cada uma dessas pessoas tome consciência e use máscara, porque por mais que não seja portador do vírus, ali no meio pode ser infectado e levar pra sua família que ficou em casa, pode levar para seus pais ou seus avós que são mais frágeis e suscetíveis a ter um quadro mais grave da doença. Eu diria que as pessoas precisam colaborar, é ótimo ter os turistas em Nova Veneza, mas que venham e tenham consciência que aqui também já temos vários casos, e que essa pessoa pode ser o próximo a ser infectado”, reforça.

O que diz a Secretaria de Cultura, Esporte e Turismo

Por outro lado, a secretária de Cultura, Esporte e Turismo de Nova Veneza, Susan Bortoluzzi Brogni, afirma que os turistas estão indo para Nova Veneza da mesma forma que para diversos outros lugares, como a Serra e as praias catarinenses.

“O que a gente vê são famílias vindo para a cidade, que às vezes não usam máscaras, mas porque estão em família, convivendo em ambientes que elas costumam conviver diariamente. O que temos feito é colocar higienizador em dois pontos da praça, perto do coreto e na gôndola. Nos fins de semana, o gondoleiro também orienta para que só entre um de cada vez, depois de se higienizar. Se são famílias, deixamos entrar juntos na gôndola. E a vigilância sanitária colocou à disposição até vigilantes uniformizados para orientar as pessoas”, elenca.

Para a secretária, as pessoas precisam pensar no todo, inclusive na economia do município. “Os restaurantes estão mantendo o distanciamento das mesas, fazendo horários diferenciados para atendimento. Estamos nos esforçando ao máximo e precisamos que a economia de Nova Veneza se movimente, pois está todo mundo sofrendo com isso. O comércio está sofrendo, as pessoas estão cansadas do isolamento e estão se sentindo seguras para sair, porque estão tendo os cuidados necessários”, finaliza Susan.