O cenário mundial é um dos piores dos últimos anos. Atualmente, muitas nações alcançam o pico de contaminação pelo novo coronavírus, causando muitas mortes e deixando famílias em luto.

Além disso, a economia enfrenta uma grave crise, com aumento no desemprego e mais pessoas abaixo da linha da extrema pobreza.

Nesse contexto duro, a solidariedade vem se mostrando como uma arma poderosa no enfrentamento da pandemia.

Para psicólogos, essa pode ser uma das possíveis respostas da consciência humana em momentos difíceis: exacerbação da empatia e apoio entre grupos. É uma forma de suavizar a dor e o medo, causado principalmente pelo desconhecido.

Mas essa solidariedade não se resume a pequenos grupos sociais ou a ONGs dedicadas à luta pela igualdade.

A empatia contagiou diversos setores, inserindo marcas importantes, empresas e celebridades no combate ao coronavírus.

Marcas conscientes

Atualmente, marcas que não se posicionam em momentos de crise, optando por uma postura isenta, podem ter prejuízos.

Segundo pesquisa da Global Web Index, realizada em abril de 2020, 57% dos consumidores online aprova fortemente marcas que divulgam informações práticas e ajudam outras pessoas durante a pandemia.

Por outro lado, a reprovação de empresas que continuam suas vendas e campanhas como se nada estivesse acontecendo chega aos 48%.

Porém, para algumas marcas, a solidariedade não é apenas uma estratégia de vendas, mas um de seus valores principais. E isso é facilmente perceptível pelos clientes.

Um exemplo é a Livre & Leve, e-commerce do segmento fit e de moda praia. Recentemente, lançou uma ação para auxiliar famílias carentes em Nova Friburgo, região serrana do Rio de Janeiro, próximo ao local no qual funciona a empresa.

A iniciativa foi batizada de Campanha Prato Cheio e reverte todo o valor arrecadado com as vendas de máscaras de proteção no site para compra de cestas básicas para quem necessita.

Essa estratégia vem sendo muito usada por várias marcas, já que, ao mesmo passo que auxilia alguém que precisa de ajuda, também incentiva o combate ao vírus, com a disseminação de medidas de proteção.

Quem também apostou nisso foi a Salon Line, marca de produtos para cabelos, que iniciou a produção de gel antisséptico para as mãos.

Isso é uma prova que independente do segmento do negócio, de roupas fitness para academia a cosméticos de beleza, todas as marcas podem auxiliar a população durante a pandemia.

Um outro exemplo é a Magazine Luiza que, além de doar R$ 10 milhões para o sistema público de saúde brasileiro, também iniciou uma campanha para combater algumas das consequências da quarentena e do isolamento social.

Uma delas é a violência doméstica. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública afirmam que houve um aumento de quase 45% dos socorros prestados a casos do tipo no mês de março de 2020, em comparação ao ano anterior.

A partir desse levantamento, a MagaLu inseriu uma espécie de botão de pânico em seu aplicativo. Com ele, mulheres são direcionadas a uma ligação gratuita para o 180 pra denunciar casos de violência doméstica, de maneira discreta e escondida.

Essa é uma maneira de auxiliar na luta, de diversas frentes, e evitar uma postura indiferente ao sofrimento do país – algo, como já dito, criticado por grande parte dos consumidores.

De comércios que vendem calças leggings até grandes lojas de eletrodomésticos ou produtos de cabelo, toda ação tem feito grande diferença.

Ajuda de celebridades

O apoio, a conscientização e as doações também puderam ser vistos entre os famosos.

Por todo o mundo, celebridades doaram quantias significativas para instituições e ONGs, além de auxiliarem em diversas ações solidárias.

A fundação responsável pela propriedade de Michael Jackson, por exemplo, doou US$ 100 mil para três instituições de caridade americanas.

As organizações beneficiadas foram a Square Food Bank, dedicada em distribuir comida para famílias em necessidade, e a Broadway Cares e MusiCares, focadas em ajudar artistas e produtores do entretenimento – setor que foi bastante afetado pela crise.

Já no Brasil, uma das primeiras personalidades a se posicionarem durante a pandemia foi Xuxa Meneghel.

A apresentadora e empresária anunciou, no final de março, a doação de R$ 1 milhão para o Sistema Único de Saúde (SUS), para auxiliar no combate ao novo coronavírus.

Logo depois, nomes como Luciano Huck e Angélica também entraram na lista, arrecadando cerca de R$ 1,5 milhão para instituições que trabalham com comunidades e favelas pelo país.

A Itália, um dos epicentros no início da crise, também contou com muita solidariedade de famosos.

Chiara Ferragni, empresária e blogueira, anunciou em abril para seus 20 milhões de seguidores no Instagram que estava participando da iniciativa ‘Milano Aiuta’.

Com o apoio do marido, o rapper Fedez, Chiara foi para rua – tomando as devidas precauções -, distribuir alimentos para famílias e idosos em situação de vulnerabilidade, junto de diversos outros voluntários.

Segundo Ferragni, a instituição já auxilia quase cinco mil famílias por semana na cidade de Milão, norte da Itália.

O cantor mundialmente famoso Andrea Bocelli também chamou atenção na luta contra o vírus.

Além de ter impactado diversos fãs com sua apresentação no Domingo de Páscoa, na Catedral de Milão vazia – transmitida ao vivo por meio de uma live -, o tenor também doou seu plasma para pesquisas, após confirmar que tinha contraído, e se curado, da Covid-19.

A solidariedade, seja de marcas, famosos ou instituições de caridade, é definitivamente a palavra da vez no combate ao coronavírus.