Por Willians Biehl

Quem entra em Nova Veneza, principalmente pelo Morro do Caravaggio, quase todos os dias pode observar olhando em direção a Serra Geral, não uma, mas várias colunas de fumaça geradas pelo fogo consumindo a vegetação.

Na maioria dos casos o fogo se inicia na palha residual da colheita do arroz e não raras vezes, acaba se alastrando e destruindo a vegetação ao redor, como registrado na última semana em muitas comunidades do município.

A ação tem gerado reclamações dos munícipes e também prejuízos à sociedade, pois cada vez que o Corpo de Bombeiros é acionado para atender esse tipo de ocorrência, há risco que uma emergência de maior importância leve mais tempo para ser atendida. Isso poderia ser facilmente evitado se houvesse a conscientização das pessoas.

Em muitos casos o próprio produtor rural acaba deliberadamente colocando fogo para ‘limpar’ o espaço. Outra situação apontada como causa está o descarte incorreto de bitucas de cigarro jogas às margens das rodovias e que acabam dando início ao fogo, que rapidamente se espalha por conta do clima seco.

“A queimada é uma prática muito antiga que os agricultores usavam pensando que iriam controlar algumas pragas ou até doenças. Hoje a queimada é uma atividade proibida e não recomendada, só pode ser feita caso seja licenciado. Outro aspecto é que a queima da palhada é queima de nutriente é perda matéria orgânica. A nossa recomendação é que essa palhada seja incorporada ao solo para que haja decomposição dela para formar matéria orgânica e outros nutrientes”, explicou o coordenador estadual do Programa Grãos e extensionista rural da Epagri, engenheiro agrônomo Donato Lucietti.

Mesmo que a queimada não tenha sido provocada pelo dono da propriedade é ele que responderá pelos danos causados e terá que promover a recuperação dos possíveis prejuízos, sejam eles ambientais ou não. “As queimadas além de ser crime ambiental, com esse tempo de estiagem podem provocar grandes danos não só ao meio ambiente, mas também danos materiais e espalhar para outras áreas”, afirmou o presidente da Fundação do Meio Ambiente de Nova Veneza (Fundave), Juliano Dal Molin.

Segundo Juliano, só na última semana a Fundave realizou cinco fiscalizações referentes às queimadas e todas possivelmente irão virar autuações, gerando aos responsáveis multa mínima de R$ 1 mil por hectare, além da obrigação da recuperação dos danos ambientais.

Denúncias de crimes ambientais em Nova Veneza podem ser repassadas diretamente à Fundave de segunda a sexta-feira das 7h às 13h, no telefone (48) 3436-5273.