Demorei um pouco mais para conversar com vocês porque perdi um irmão de forma inesperada e fiquei sem inspiração.

Não sou escritora e nem tenho formação em jornalismo, gosto de escrever. Coloco aqui neste espaço minha forma de pensar, de sentir a vida. O que escrevo são sentimentos que gosto de compartilhar com aqueles que são simples, sensíveis e estão dispostos a me ouvir.

Há uma semana perdi meu irmão Juarez, era um homem saudável nos seus quase setenta anos, ia completar no próximo mês de agosto.

Quando digo saudável quero dizer em todos os sentidos: nunca fumou, bebeu muito pouco, não tinha diabetes, colesterol, pressão alta nem problemas de coração. Desde menino era adepto à vida saudável,ainda hojeacordava cedinho e corria vários quilômetros. Levava a vida de acordo com as orientações médicas. Consumia arroz integral e açúcar mascavo há mais de trinta anos.

Você deve estar me perguntando o que interessa a vocês a vida saudável do meu irmão?Pois então vou lhes contar para servir de alerta a todos nós.

O Juarez estava gripadohá mais de uma semana e achava que não precisava ir ao médico. Avelha história de que gripe se cura com vitamina C e cama.

Nem sempre. Ele estava com tosse e falta de ar. Numa quarta-feiraà noite seu filho encontrou-o nas escadas do prédio onde morava, sentado, porque não conseguia nem subir os degraus. Meu sobrinho chamou o SAMU e levaram-no para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), na Próspera.

Chegando lá com os sintomasde dor no peito e falta de ar, medicaram-no comcorticoide e fizeram nebulização. Depois mandaram-no embora com uma receita de antibiótico e outros remédios.

Seus filhos não contentes com o atendimento levaram meu irmão para o Pronto Socorro do Hospital São José. Segundo eles o Juarez estava mal, os médicos não deram a atenção necessária na UPA, nem raio X fizeram.

No São José foi uma correria, os médicos foram rápidos pois pensaram primeiro num problema de coração, fizeram exames e descartaram a possibilidade de problema cardíaco.

Disseram que era pulmão e na manhã de quinta internaram-no e enquanto aguardava leito ficou num dos leitos do PS. Estive no hospital visitando meu irmão e achei ele bem, ele também se sentia melhor. Sai do hospital depois das treze horas e até aquele momento o Juarez não havia recebido medicamento algum. Minha irmã ficou de acompanhante dele depois que fui embora e ela me disse que ele recebeu medicamento já era cinco da tarde.

Fiquei revoltada. Uma das enfermeiras disse que ele não havia sido medicado ainda porque o paciente que se interna de manhã só recebe medicamento as quatro da tarde. Que absurdo, meus Deus!

Não havia aparecido nenhum médico responsável por ele, disseram que o médico viria na manhã seguinte.

Não deu tempo. Por volta das oito da manhã de sexta, (13), meu irmão faleceu. Ele sentiu-se muito fraco ao tomar banho, seu filho colocou-o numa cadeira de rodas e ao seguir em direção ao leito ele teve uma crise de tosse (vinha tendo por vários dias), ficou arroxeado, tombou a cabeça para o lado e morreu.

Assim rápido, sem uma explicação convincente. Estamos sem entender o que aconteceu. No momento disseram que foi um Edema Agudo de Pulmão.

Esse fato eu conto porque gostaria que todos vocês que estão lendo esse desabafo levassem muito a sério os resfriados e as gripes que nos acometem. Gripe não é brincadeira. Não sabemos ao certo o que o levou à morte realmente, seu corpo foi levado para o Serviço de Verificação De Óbito para exames mais aprofundados, os resultados demoram para sair.

Ao primeiro resfriado corram para o médico, se ficarem internados exijam dos médicos e enfermeiros um atendimento eficiente. Lutemos por nossos direitos à saúde e não apenas sermos jogados numa cama de hospital esperando pelo protocolo do hospital.

Fico me perguntando se os médicos tivessem sidomais rápidos será quemeu irmão não estaria vivo ainda? Será que tosse e falta de ar não eram suficientes para uma medicação emergencial?

Pouco mais de 24 horas um vida se foi. Parecia uma gripe qualquer. De que adiantou ser tão saudável e depois morrer quem sabe por negligencia médica?

Temos que ficar mais espertos e atentos aos sintomas das doenças, mesmo as mais comuns. Os médicos estudaram para salvar vidas, mas quem conhece nossos corpos e como reagem às doenças somos nós.

Fiquem com Deus!

Maria Margarete Olímpio Ugioni