Pai – eterno filho
Colunistas Margarete Ugioni

Pai – eterno filho

Não sei se a homenagem é para o pai, para o filho ou para a mãe do pai.

Queria falar um pouquinho do pai dos meus filhos – meu esposo, é claro. Ele é um homem já na terceira idade, com 3 filhos e cinco netos e meus filhos e netos não poderiam ter um pai e avô melhor que ele. É amoroso, afetuoso, dedicado, brincalhão e adora fazer nossas refeições e nunca esquece da batata palha do Miguel.

Mas este pai também vira criança de vez em quando.

Vou contar a última façanha deste pai. Quem o conhece sabe que ele é muito inquieto, vive inventando coisas e então resolveu subir numa escada para fazer um serviço que deveria ser feito por alguém mais jovem.

O Valmor subiu na escada e ela quebrou, ele caiu batendo as costas na quina de uma pilha de madeira. Ficou esticado no chão gemendo de dor, machucando as costas. Eu não sabia o que fazer, levantá-lo não poderia e nem deveria pois não sabia da gravidade dos machucados.

O que me levou a contar este episódio foi o fato de vê-lo chamar a mãe por cerca dos quinze minutos que ficou estirado no chão. Não falava nada só dizia: mãe, mãe, mãe, mãe, mãe, mãe como se quisesse transportá-la da sua casa até ele para que ela pudesse aliviar sua dor. E isto me emocionou muito (até agora enquanto estou a escrever estas linhas) impossível segurar as lágrimas.

Foi uma cena que me marcou, vi a intensidade do amor de um filho, já idoso, pela sua mãe e a crença de que ela seria o remédio para sua dor. Percebi a plenitude do amor materno na vida de um filho, senti nas palavras dele – chamando pela mãe – o clamor de uma súplica, como se estivesse fazendo uma oração de uma única palavra – MÃE.

Que palavra doce, tão doce como a água com açúcar que ela lhe dava, quando criança, para aliviar alguma dor. E aliviava. Alguém tem alguma dúvida?

Este homem virou menino pequeno e queria o colo da mãe. E isto eu não podia lhe dar e nem trazer sua mãe para perto dele pois estávamos muito distantes de casa. Ele não sentiu vergonha de clamar, chamar por ela. Naquele instante este menino pai queria a mãe.

Eu, como mãe, percebi nesta cena o eterno vínculo entre mãe e filho, que nada no mundo é mais importante para um filho que a proteção maternal, o aconchego do seu colo e o beijo carinhoso. E há recompensa maior que a gratidão de um filho?

Mas, graças a Deus resultou em apenas uma costela quebrada, só necessita de um pouco de repouso. Perceberam porque eu disse que não sabia quem eu estava homenageando?

Mais uma vez este pai e avô, que vive comigo há mais de quarenta e cinco anos, conseguiu me surpreender e é por isso que quero homenageá-lo de modo especial neste Dia dos Pais. Homenagear também meu filho e meus dois genros pelo seu dia. Não poderia esquecer dos meus leitores pais e quero desejar a todos um ótimo e feliz Dia dos Pais, ao lado dos seus com as bençãos de Deus.

Parabéns PAPAI!

Maria Margarete Olimpio Ugioni

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