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Nem criança e nem adulto: Adolescente!

Quando se trata de desenvolvimento humano, uma das fases que mais acarretam em modificações físicas e psicológicas é a adolescência. Para a OMS – Organização Mundial da Saúde a adolescência é o período entre 14 a 19 anos de vida do ser humano, e é a etapa da vida em que o corpo de criança acaba se esvaindo pelo tempo, e como consequência, um corpo adulto vai surgindo: como lidar com isso? Além das mudanças físicas, os pensamentos e a percepção acerca do mundo também é modificada.

Mas o que fazer com esse corpo? Como me visualizo como adolescente? Será que já sou adulto? Ainda posso brincar ou já devo buscar um emprego como menor aprendiz? São questões bastante comuns nessa etapa da vida.

Erroneamente conhecida como “aborrecência” por conter seus momentos dramáticos devidas as modificações hormonais, a adolescência precisa ser olhada com cuidado, respeito, e ser entendida como uma parte do desenvolvimento humano. Portanto, a adolescência não é e está longe de ser uma “aborrecência”. Assim como todas as outras fases do desenvolvimento humano, esta também deve ser respeitada.

Como parte do processo, na adolescência ocorre a perca de muitos papéis, sendo que é uma fase de reconfiguração da sua identidade e isso pode trazer sofrimento psicológico caso não exista a mediação adequada. Se formos avaliar, cada faixa etária possui suas particularidades, por exemplo, as crianças geralmente são bastante ativas, gostam de brincar, conversar, correr, estudar, entre outras atividades. Na adolescência, isso acaba sendo um pouco perdido, pois o papel de criança já não serve mais, mas o de adulto, também não serve ainda. Ser adolescente é precisar adaptar-se ao seu novo corpo para tornar-se um adulto, e esse caminho pode ser difícil. Nada mais é do que descobrir-se em um novo corpo, em uma nova maneira de pensar: reconstruir o seu eu.

A adolescência traz consigo hormônios, sensações e sentimentos diferentes (que antes estavam adormecidos), a sexualidade e as mudanças físicas, o início da atração amorosa, um turbilhão de incertezas do que eu vou ser “quando crescer”. Por isso, é importante que o adolescente possua apoio, tanto familiar, quanto escolar e de amigos. É uma fase da vida em que eles buscam socialização por meio de grupos de amigos, que geralmente possuem gostos em comum, e assim, acabam apoiando-se, e é um lugar onde podem (ou não) buscar suporte.

Boas alternativas para que essa etapa seja passada de forma mais tranquila é o diálogo, fornecer suporte, orientar, tirar dúvidas, dar afeto, estabelecer laços de parceria e confiança, permitir que ele pertença ao grupo de amigos, sendo que estes possuem um papel importante nessa reconstrução do eu.

Te convido a refletir acerca das modificações que o adolescente acaba sofrendo. Ontem fui criança, amanhã serei adulto. O que preciso fazer para ser um bom adulto? Cultura, valores, amigos, escola, família: isso tudo pode influenciar na construção de si mesmo nesse processo de tornar-se adulto. Esse processo pode ser tranquilo ou doloroso, e por isso é importante que o adolescente esteja amparado.

Imprescindível nesta etapa da vida é o acolhimento, amparo e suporte que possuem consigo uma função bastante significativa nesse processo de transformação do sujeito, tendo visto que a adolescência é um momento também de vivências, experimentações e curiosidades.

Exemplo disso foi a notícia da última semana, 21/04, o suicídio de uma adolescente de 16 anos, que quando era criança participava do famoso Programa do Raul Gil. Segundo as notícias das mídias sociais, ela estava com depressão, e há um tempo havia perdido alguns familiares importantes a ela. Uma adolescente, 16 anos, no meio de tantos outros que tiram suas próprias vidas por sofrimento psicológico, que poderia ser evitado com auxílio familiar e profissional.

Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS (2018) o suicídio é a segunda maior causa de mortes na faixa etária de 15 a 19 anos. “A cada ano, cerca de 800 mil pessoas tiram a própria vida e um número ainda maior de indivíduos tenta o suicídio. Cada suicídio é uma tragédia que afeta famílias, comunidades e países inteiros e tem efeitos duradouros sobre as pessoas deixadas para trás. O suicídio ocorre durante todo o curso de vida e foi a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos em todo o mundo no ano de 2016.” OPAS – Organização Pan Americana de Saúde.

O objetivo aqui não é apontar o certo ou o errado, mas sim o convite à reflexão sobre a importância de olharmos para os nossos adolescentes com a devida importância, pois, além de todas as modificações que sofrem, ainda há os agravantes sociais: acontecimentos que ocorrem e que não são planejados, como perda de pessoas queridas, término de um relacionamento, reprovação escolar, doenças físicas e/ou psicológicas entre outras.

Poderíamos refletir muito mais nesta temática, e com certeza em outro momento falaremos novamente sobre isso. O adolescente é um ser humano em desenvolvimento como todos nós, porém ele está em uma etapa um tanto quanto transformadora e por isso precisa de suporte. Os suicídios não surgem do nada, eles surgem diante de uma dor, de um sofrimento. Aos pais, amigos e familiares, esteja atento aos seus adolescentes, busquem conversar e verificar como eles estão. Aos adolescentes, caso estejam passando por questões difíceis, busquem auxílio. Seja de um amigo, dos pais, de um profissional. Não tenha medo de falar sobre seu sofrimento! E, acima de tudo, permita-se aproveitar da melhor forma possível a sua adolescência, divirta-se e cuide-se!

Fico à disposição caso queira conversar comigo!

Participe conosco! Caso tenhas alguma dúvida ou sugestão, fique à vontade para entrar em contato pelo e-mail gihh_b@hotmail.com. Receberei com afeto! Abraço fraterno!

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