Em nossa rotina diária acontecem coisas e vivenciamos muitas outras que nos fazem refletir. E que bom que nos levam a refletir, pois tantas pessoas não se deixam tocar por situações e palavras.

Pai e mãe “dão o sangue” para proporcionar tudo do bom e melhor para seus filhos, e não só enquanto são pequenos, somos eternamente preocupados com os filhos.

Na missa do primeiro dia deste ano de 2020 o padre proferiu palavras na homilia que tocaram fundo meu coração. Lembrei dos meus pais em seus últimos anos de vida.

Meu pai faleceu muito cedo, com apenas 59 anos e já faz trinta e seis anos. Teve um derrame e foi logo hospitalizado necessitando mais dos cuidados dos enfermeiros do que dos nossos cuidados e zelo, só podíamos visitá-lo até o dia do seu falecimento.

Com minha mãe foi diferente, ela foi ficando enferma, fragilizada e precisou da nossa atenção e cuidado. Precisou de uma bengala e nós, seus filhos, fomos esta bengala que a amparou nos últimos anos de sua vida. É claro que ela tinha uma bengala, objeto de madeira, mas o que a deixava segura mesmo, para que desse alguns passos sem medo de cair, era o braço de uma filha ou de um filho.

Feliz de nós que conseguimos servir de apoio para minha mãe quando ela mais precisou, naquela época não teve nenhum padre que nos dissesse que a bengala de um velho deve ser o braço de um filho, de uma filha. Mas, felizmente cumprimos com nossa obrigação de filho/a agradecidos por tudo que ela nos proporcionou quando mais precisávamos e agora tinha chegado nossa vez de retribuir todo amor e zelo.

Penso que durante aquela homilia muitos filhos deviam estar se questionando sobre seus papéis, agora de adultos, perante seus pais idosos.  Será que todos estão sendo a bengala de amor, paciência, tolerância, dedicação para com seus pais? Será que minha bengala não está sendo de madeira corroída pelo desamor, desatenção e impaciência?

Acho bom desde cedo plantarmos florestas de boas madeiras, cultivando-as com amor, dedicação, afeto sincero, e muita tolerância para que tenhamos muitas bengalas em nossa velhice.

E para completar: esta semana caminhando na praia vi um menino de uns cinco anos, saindo da água, em passos lentos, de braços dados com outro menino, este com deficiência e dificuldade de andar. Chorei ao ver a cena.  Chorei porque percebi a confiança que aquela pequena bengala despertava para o frágil menino.

Foi uma imagem que não vou esquecer para o resto da minha vida e quero carregá-la comigo como inspiração.

Feliz recomeço.

Maria Margarete Olimpio Ugioni