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Margarete Ugioni: Saudades dos nossos mortos

Tempo de saudade, de lembrar os que partiram para junto de Deus. É normal, que em nossas famílias conversemos sobre visitas a cemitérios nestes dias, que falemos das pessoas que já morreram, assunto bastante comum principalmente quando temos algum conhecido falecido.

Estávamos almoçando e minha neta me fez a seguinte pergunta:

– Vó, você tem muita saudade da tua mãe? Eu fiquei impressionada pela seriedade dela e preocupação com o meu sofrimento.

– Sim, respondi, sinto muita saudade da minha mãe Dulce que faleceu há seis anos.

-Eu não conheci a Bisa Dulce, mas minha mãe disse que ela me viu na barriga da minha mãe!

– Sim, a Bisa viu tua mãe grávida antes de falecer.

Ela ainda me disse que também sente muita saudade do “Lindo”, nosso gato que viveu conosco durante 14 anos e que faleceu há dois anos, disse que sabia que ele estava no céu com a Bisa, mas que tem dias que sente vontade de chorar porque o Lindo não tá mais aqui. Deu uma peninha dela!

Não sei se é bom ou não as crianças já sofrerem com perdas de entes queridos e bichinhos de estimação. No seu mundinho inocente de criança penso que saudade pra ela tem o mesmo peso, não importa se é por um ser humano ou se é por um gato. É amor.

Tento explicar para a Mariana que todos nós um dia vamos para junto de Deus, uns antes e outros depois, mas todos irão. Ela não questiona muito, não sei se entende ou não.

Acredito que muitos de nós quando chega nesta época de Finados, época de limpar capelas, encomendar flores e velas se pega a refletir sobre o tempo que deixamos de dedicar a nossos entes queridos. Eu fiz tudo que pude para dar conforto para minha mãe enquanto ela estava viva e principalmente na sua doença, mas hoje penso que deveria ter dedicado muito mais tempo para ela. Foi pouco.

Como colocamos tantos outros programas corriqueiros em primeiro lugar! Deixamos de visitar um parente, um amigo para fazer qualquer outra coisa sem importância. Aí quando chega o Dia de Finados estamos lá no cemitério “visitando” os túmulos daqueles que deixamos de dedicar um pouco mais de tempo.

Eu visito a capela de meus pais, sim, a gente sabe que ali não tem mais nada, mas é como se fosse um dever cuidar da sua última morada. Certo ou errado não quero nem saber, eu e meus irmãos cuidamos muito bem daquele lugar que acolheu os restos mortais de nossos pais. Com certeza é importante também.

Não vamos deixar de cumprir determinados costumes que a data exige, como vistas a cemitérios, por exemplo; porém, antes de tudo, vamos cuidar e dar carinhos àqueles que ainda estão entre nós, estes sim precisam do nosso amor.

Como faço com bastante frequência, visitei e abracei minha sogra, de 94 anos, agradecendo a Deus por tê-la entre nós.

 

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