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Margarete Ugioni: É muito caro

Semana passada fiquei indignada com um fato que ocorreu numa relojoaria em Criciúma, eu pensava que isso não acontecia mais. Pura ingenuidade.

Como estou perto de completar quarenta anos de casada fui numa relojoaria dar uma olhada numa aliança para marcar esta data. Um pequeno mimo como toda mulher  gosta de ostentar e eu não sou diferente, é claro.

Chegando lá, perguntei se sabiam o que se comemorava nos  40 anos de união, a atendente foi pronta para ajudar e disse que era “Bodas de Esmeralda”.  Perguntei se era possível  encomendar uma aliança trabalhada com esmeraldas, poderia ser meia aliança, ou um detalhe, enfim eu queria uma aliança que reportasse aos anos comemorados e que precisava da experiência deles para comprar ou encomendar.

Primeiro me disseram que não tinha na loja nenhuma aliança que viesse de encontro ao meu desejo e que talvez eu pudesse mandar fazer ” mas que era muito caro”.  A vendedora me informou que, depois do brilhante ou diamante, a esmeralda é a pedra mais cara.

Fiz mais alguns questionamentos, olhei na vitrina alguma aliança de ouro branco, mais para disfarçar e não demonstrar o quanto fiquei magoada.

Assim que cheguei foram duas vendedores que me atenderam, uma complementava as informações que a outra não sabia me dar, porém ambas frizaram umas cinco vezes  que o que eu queria custaria caro.

Não sei o que fez com que pensassem  que eu não  poderia pagar um presente de tal valor, fiquei envergonhada, até inibida de olhar mais alguma coisa na relojoaria, fui embora me sentindo péssima. Será que eu estava mal vestida para os padrões do shoping? Ou da loja? Minha bolsa não era de grife? Eu não estava com os cabelos escovados?

Impossível explicar tal atitude destas vendedoras. Está na hora dos comerciantes treinarem e orientarem seus funcionários para tratar melhor as pessoas que entram em suas lojas. Aparência nem sempre é tudo, eu posso ter condições de compra e nem por isso preciso ostentar na minha forma de vestir.

Em primeiro lugar é preciso ter respeito pelo ser humano, depois é atender bem a todos que entram para comprar. Se posso ou não comprar  ninguém pode afirmar ou negar, muito menos ficar no “achismo” em função da aparência. Vão te rotulando de cara.

Não podemos ficar calados diante de situações como esta e muitas outras em que somos discriminados por não ostentar ouro, carro de luxo, vestidos de marca entre outros itens que a sociedade considera relevante.

Olha, nascemos nus e seremos enterrados com o que existe de mais básico, não se leva nada desta vida.  Seremos lembrados pelo que somos e não pelo que temos. É bom pensar nisso …

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