Para quem compra livros pela capa ou pelo título corre o risco de deixar de lado o excelente O Pacifista, de John Boyne, porque em minha opinião nenhum dos dois ajudam a vender. Então estou aqui para escrever sobre essa obra que me lembra da frase “nem tudo é o que parece”. Esse livro provoca o leitor a pensar nos princípios dos seres humanos, no que é ética e que julgar o outro é bastante complicado, já que ninguém tem certeza do que faria se estivesse no lugar de outra pessoa.

O Pacifista é um livro forte, triste, inquietante. Os personagens principais são Tristan Sadler e William Bancroft dois garotos que lutaram na primeira guerra mundial, que viveram horrores e a sobrevivência era uma conquista diária.

Sobrevivente, com 21 anos e angustiado com seu segredo, Tristan vai procurar a irmã de William para entregar as cartas que os dois trocaram no período da guerra e que havia ficado com ele depois da morte de seu amigo, mas conforme a conversa vai seguindo, o jovem vai tentando revelar o verdadeiro motivo daquele encontro, que era contar tudo sobre a morte de William.

De forma leve e muito discreta o autor também aborda o homossexualismo, conta sobre as alegrias de um personagem e as tristezas de outro. Boyne consegue escrever tudo com tranquilidade, sem ansiedade. O autor consegue também fazer com que o leitor imagine as cenas vividas pelos personagens na guerra, um horror sem tamanho, onde cada um daqueles homens tem suas crenças, suas convicções, suas formas de encarar os acontecimentos e vão tomando decisões sem ver muito sentido naquilo tudo.

Mais uma vez John Boyne presenteou seus fãs com uma história interessante oferecendo uma leitura que segue sem pressa, com personagens complexos e com temas que no final, possivelmente muitos leitores irão parar e refletir sobre toda a narrativa.

O Pacifista, de John Boyne – 302 páginas