Você pode estar se perguntando… Por que ler um livro sobre a história de um bailarino chinês? E mesmo sem ter um forte motivo para escolher esta leitura você poderá se surpreender ao conhecer um pouco da cultura da China comunista de Mao Tsé Tung, além de saber como Li Cunxin se tornou um bailarino e foi parar nos Estados Unidos. ADEUS CHINHA foi escrito pelo próprio bailarino e saber que a obra é real torna tudo mais emocionante e comovente. Sim, os personagens viveram aquela história contada nas 400 páginas do livro.

A obra começa com Cunxin contando um pouco sobre sua família. Seus pais, o casamento deles, a vida miserável que tinham na comuna, a casa de um cômodo só, os irmãos, o trabalho do pai e da mãe, as necessidades que passavam e muito mais. Depois fala da escola, que o grande aprendizado das crianças era sobre a superioridade da China e todo bem que o chefe Mao fazia pelo povo. As crianças eram ensinadas desde cedo a amar seu líder e que deviam agradecer pela vida que tinham.

E como Li Cunxin se tornou bailarino? O início foi por acaso, quando a escola recebeu a visita de funcionários do governo que estavam recrutando crianças para fazer parte da Academia de Dança de Pequim, que tinha Madame Mao com madrinha. Uma professora indicou o garoto que por medo e vergonha se submeteu aos testes dolorosos sem reclamar e assim foi aprovado para integrar a Academia. Essa oportunidade foi vista por todos como uma bênção para o garoto que teria comida e cama enquanto estudava para ser bailarino. Mas ele não pensava assim, tanto que o primeiro ano na escola foi um desastre, ele não queria dançar, achava tudo muito rigoroso e os treinos de balé eram desconfortáveis e doloridos, além da grande saudade da família. Depois de um ano difícil, Cunxin voltou para casa e apesar da alegria e ser bem recebido pelos pais, também foi cobrado a ter notas melhores, porque aquela era a grande oportunidade da vida dele.

Com essa promessa feita aos pais, o garoto voltou, fez amizades, conquistou professores e se dedicou ao balé e aos estudos, se tornando referência por sua dedicação. Tanto que quando o coreógrafo americano do Balé Houston foi visitar a Academia da China, Cunxin e outro garoto foram selecionados para ter aulas por algumas semanas nos Estados Unidos. Ao chegar lá, o choque de cultura foi marcante, liberdade, comida, moradia e todo o resto não saíram mais de sua cabeça, mesmo depois de ter voltado para a China.

Numa segunda oportunidade foi convidado e autorizado a ficar por alguns meses estudando balé nos Estados Unidos e lá foi reconhecido como o grande bailarino que poderia ser. Ali ele se apaixonou, casou e não voltou mais para a China, só conseguiu visitar seus pais depois que Mao saiu do poder e aconteceu uma abertura política e cultural. Ele fez uma escolha que teve consequências, mas depois do que conheceu nos Estados Unidos não poderia regredir em seu crescimento pessoal. E profissionalmente se tornou um grande bailarino com muita dedicação e trabalho.

Adeus China, de Li Cunxin – 400 páginas.