No dia 31 de janeiro, aparece o primeiro caso do Coronavírus na Itália. Dois turistas chineses são internados em Roma com o vírus.

Uma semana depois um italiano que chegou na China, exatamente de Wuhan, cidade onde a pandemia começou, foi confirmado o terceiro caso. Dia 21 fevereiro já somavam 16 casos e a primeira morte causada pelo Coronavírus na cidade de Vo, província de Padova.

Era início de março e já haviam várias pessoas contagiadas na Itália, principalmente na região da Lombardia, mas, o primeiro-ministro Giuseppe Conte, disse para a população não se preocupar que a situação estava sob controle, e apenas algumas cidades da Lombardia tiveram as aulas canceladas, centros históricos e museus fechados. No dia 8 de março eu estava na cidade de Gênova e tudo estava normal, pessoas pelas ruas, comércios abertos. Nem parecia que 200 km daí estavam morrendo várias pessoas todos os dias.

Neste mesmo dia milhares de pessoas foram à estação central de Milão com destino ao Sul do país para fugir da epidemia. Num único dia só na cidade de Bergamo morreram 93 pessoas. No dia 9 de março o governo amplia a quarentena e as mortes foram aumentando muito rápido.

Só no dia 21 morreram 793, num total de 7.503 mortos até o dia de hoje 25/03. A grande maioria na região da Lombardia e sempre nas cidades de Bergamo e Brescia. Mais de 4 mil agentes de saúde foram contagiados. Até o dia 23 havia morrido 18 médicos. Um casal de idosos que estava no isolamento em casa morreu com uma diferença de duas horas. Ele às 9 horas e ela às 11 horas. A cidade de Bergamo faz um enterro a cada meia hora. Caminhões do exército levam dezenas de caixões para serem cremados em outras regiões porque Bergamo não dá mais conta.

A prefeitura de Bergamo fechou as portas do cemitério porque muitos idosos estavam indo visitar seus amigos que morreram e não tiveram nem enterro de despedida. Os enfermeiros contam que quando as vítimas eram internadas, os parentes pediam para dar-lhes o último adeus por eles. Depois os parentes eram chamados para entregar os objetivos pessoais pois já haviam levado seus entes para a cremação. Uma enfermeira contou que é difícil encontrar alguém em Bergamo que não teve um parente que morreu vítima do Coronavírus.

“No início das primeiras mortes da epidemia, as autoridades haviam fechado as escolas e centros históricos e o governo pedia para a população ficar em casa, mas os bares e casas noturnas continuavam abertos. Numa noite em um bar em Milão frequentado por jovens uma repórter fazendo uma matéria perguntou a eles: Por que vocês não ficam em casa? Então eles responderam: Porque sou jovem e o Coronavírus só mata idosos. Porque enquanto eu não vir morrer um com 20-30 anos essa doença não me interessa. Então a repórter disse: “Seus avós foram convidados para irem à guerra e vocês apenas para ficar em casa”.