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Finalizado por um siri

Era bem cedinho no Balneário Arroio do Silva. Na verdade, era tão cedo que nem tinha amanhecido ainda. Eu acordei de madrugada e, como não pude dormir mais, fiquei rolando de um lado para outro na cama até que resolvi levantar e ir caminhar a beira mar. Como ainda era noite, levei comigo um canivete e uma lanterna que, além de iluminar, também desferia choques. Fiz a compra no Mercado Livre e chegou rapidinho.

Eu andava com medo por algo que aconteceu algum tempo atrás, em que fui espancado por três animais e não pude fazer nada, pois fui pego desarmado. Por este motivo, comprei esta lanterna para me defender, mas ainda não tinha testado para ver se realmente era muito forte como dizia o fabricante. Minha caminhada ia muito bem, bem até demais. Em certo ponto, clareei ao longe um siri que corria de um lado para o outro. Parecia que estava perdido em seu pleno habitat natural, imediatamente pensei: É minha chance de testar meu brinquedinho.

Sem pensar muito, corri atrás do bicho, até conseguir desferir o primeiro choque no bichano. Quando pensei que ele havia morrido,  ele tornava se mexer e eu o eletrocutava novamente. Quando vi que ele finalmente parou de se mover, foi quando continuei seguindo meu caminho, orgulhoso que meu brinquedinho tinha funcionado e que tinha feito uma boa compra.

Dei alguns passos e pensei que se eu estivesse com uma lanterna desta naquele dia que fui atacado por aquelas três ovelhas que eram de estimação de minha avó, eu não teria apanhado ou, pelo menos, não teria apanhado tanto como apanhei.

Talvez, eu conseguisse as eletrocutar e ainda poderia comer suas carnes. De repente, sinto alguém cutucar meu ombro bem sutilmente, algo que me deu um baita arrepio, pois só tinha eu àquela hora na beira mar. Olho para traz e vejo um demônio em forma de siri, ele media mais ou menos um metro e sessenta de altura, tinha olhos do tamanho de uma bola de futebol e uma faixa roxa de Jiu-jitsu bem amarrada na cintura. Assustado, peguei a lanterna com choque novamente para tentar intimidá-lo.

Em um rápido movimento com uma de suas 68 patas, ele tirou a lanterna da minha mão a engoliu e, em seguida, perguntou:

E aí, vamos para rola?

Sem dar tempo para que eu pudesse responder, ele me derrubou na areia e fui obrigado a travar uma luta de Jiu-jitsu. Era areia que voava para tudo quanto era lado e, em alguns momentos, eu quase não acreditava estar saindo na mão com um siri gigante. O pior foi que o desgraçado ainda tinha torcida.  Ao nosso redor, havia vários siris, algas marinhas e estrelas do mar torcendo pela aquela aberração. Foi quando me distraí por um segundo e ele me pegou num mata leão. Acordo todo suado batendo na cama para ele me soltar.

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