Economia dá primeiros sinais de recuperação
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Economia dá primeiros sinais de recuperação

Por Deize Felisberto

Depois de o novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrar desaceleração no número de demissões e o aumento nas contratações com carteira assinada em maio, outros indicadores apontam que a economia dá os primeiros sinais de recuperação. Embora tímida, a reação já é percebida em diferentes setores e reacende a esperança de que a pandemia de coronavírus deixe impactos menores do que o esperado.

O volume de vendas do varejo cresceu 13,9% em maio, maior crescimento desde o início da série histórica, em janeiro de 2000. A alta ajudou o setor a reduzir as perdas de março e abril, que refletiram os efeitos do isolamento social. No acumulado do ano, o varejo registra queda de 3,9% e, nos últimos 12 meses, o cenário é de estabilidade, conforme os dados da Pesquisa Mensal de Comércio, divulgada na última semana pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Atividade industrial

Também realizada pelo IBGE, a Pesquisa Industrial Mensal Regional demonstrou que a atividade industrial apresentou aumento no mês de maio em 12 dos 15 locais analisados, na comparação com abril, ficando a média nacional em 7%. Santa Catarina teve aumento de 5,4%.

Após quedas significativas em março e abril, o setor de serviços recuou apenas 0,9%, em maio, conforme a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), outro levantamento feito pelo IBGE.

“As restrições impostas às atividades, a partir da segunda quinzena de março, levaram o mercado a projetar um cenário catastrófico para a economia. Com o passar dos meses, ocorreram quedas, com alguns setores passando por perdas maiores que outros, mas felizmente a crise foi menos profunda do que se imaginava. A partir da retomada das atividades, a roda voltou a girar e tudo indica que a economia voltou aos trilhos”, analisa o presidente da Associação Empresarial de Criciúma (Acic), Moacir Dagostin.

Inflação

Outro reflexo do reaquecimento da economia é a alta de 0,26% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE na última sexta-feira, dia 10. Após dois meses seguidos de deflação, os preços no país voltaram a subir. Após as duas quedas consecutivas (0,31% e 0,38% em abril e maio, respectivamente) e com o aumento de junho, o IPCA acumula alta de 0,10% no ano e de 2,13% em 12 meses.

“Os indicadores de inflação ainda estão muito baixos no acumulado do ano para representar uma retomada do crescimento econômico, embora índices de expectativa tenham melhorado em relação a abril e maio, na comparação com março. Outros indicadores, como a emissão de notas fiscais divulgada pela Receita Federal, mostram que a economia está tentando reagir”, entende o professor, consultor e economista Thiago Fabris.

“Outros indicadores são relacionados à parte de expectativa, índices de confiança. Em junho, o índice de confiança do varejo melhorou, assim como o índice de investimento das empresas, e isso é importante. É um dos motores que precisamos ficar de olho”, acrescenta.

Medidas econômicas

Para Fabris, a recuperação também passa pelas ações do Governo Federal. “O governo vem tomando algumas medidas, principalmente no sentido de conter o desemprego. Em maio houve o fechamento de vagas, mas não tão intenso quanto em abril. Sabemos que ainda existe uma dificuldade de o crédito chegar às micro e pequenas empresas, mas as medidas de forma geral ajudam a retomada da economia brasileira”, considera.

Segundo ele, o peso do setor produtivo também será fundamental para a retomada do crescimento, especialmente para a Região Carbonífera. “Em termos de representatividade a nível de Brasil, a indústria tem uma participação de 16% no PIB (Produto Interno Bruto). Um dos setores que mais contribui é o de serviços, com 58%. Juntando os dois, temos uma grande representatividade, de extrema importância para que a economia volte a andar”, pontua.

“Nunca experimentamos taxas de juros tão baixas e isso acaba estimulando o investimento das empresas. Quando a economia retomar de fato, vários setores vão acabar respondendo a essas políticas. Os empresários mais uma vez terão um papel fundamental na retomada da economia, afinal são quem geram empregos. Sabemos que é difícil, mas é importante que tentem não demitir”, salienta o economista.

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