Smartphones, Tablets, Notebooks: aparelhos que estão por todo lado e que fazem parte da rotina de milhões de brasileiros na atualidade. Mas você já parou para analisar o tempo em uma retrospectiva de 10 anos atrás?

Convido você a pensar um pouco comigo sobre a tecnologia e seu uso nos dias atuais. Há 10 anos, adquirir um celular ou computador não era tão fácil assim. Os meios de comunicação utilizados eram basicamente o aparelho de televisão e rádio que serviam para saber das notícias e assistir a programas de entretenimento/novelas.

Com a chegada da internet, a evolução dos computadores e a modernização dos aparelhos celulares (que um dia tiveram botões) resultou em um “BOOM”, principalmente com a possibilidade de ter tudo em tempo real na palma da sua mão. Em um aparelho pequeno e de fácil manuseio, você encontra basicamente tudo que necessita de forma simples, fácil, prática e barata (pelo custo-benefício).

Até aí tudo bem, sem nenhum problema. É apenas a tecnologia evoluindo e facilitando a vida das pessoas. O problema inicia, quando as pessoas acabam indo com muita “sede ao pote” e acabam por utilizar das tecnologias e dos aparelhos como parte do próprio corpo, a ponto de não chegarem na esquina de casa sem o smartphone junto.

Passar uma, duas, três horas consecutivas diárias olhando as redes sociais, e muitas vezes deixando seus afazeres de lado, ou deixando-se de lado. Não há problema algum em ter redes sociais e utilizá-las, a questão é que, o excesso pode fazer mal.

Presenciamos atualmente uma mudança nas relações interpessoais por conta do avanço tecnológico. É possível perceber que a “atual realidade virtual” em muitos casos serve como “régua” para mensurar o sucesso de vida de outra pessoa.

Fenômeno que pode ser gerador de sofrimento quando o sujeito acaba comparando sua vida, com a vida virtual do outro – aquilo que ele posta e diz viver, o que pode gerar desânimo, frustração, e desejo de viver a vida do outro, esquecendo-se da sua realidade e das suas potencialidades, ao considerar o outro melhor do que si mesmo. Mas até que ponto o que é postado condiz com o real?

Outro ponto para reflexão é o fato dos aparelhos substituírem pessoas: isso mesmo. Eles substituem. Basta você ir a um restaurante, que será possível perceber que em muitas mesas não há comunicação verbal e nem corporal: estão apenas de corpo presente, mexendo no telefone, tirando fotos, postando os famosos “stories”, e se comunicando com pessoas que não estão ali, ignorando assim, as que estão.

É bastante comum ainda, perceber que as pessoas estão deixando de viver o aqui e agora – ou seja, aproveitar o momento – para tirar fotografias, filmar, e postar nas redes sociais. Exemplo claro disso são os shows de bandas famosas, muitas vezes as pessoas vão ao show e passam o período tirando fotos, e filmando, para assistir o show de casa, já que ao invés de aproveitar o momento, o sujeito ficou grudado no telefone. Claro que registrar momentos é bacana e não há nada de mal com isso. A questão é quando isso ultrapassa a barreira e torna-se uma necessidade: se não tirar fotos, não valeu o passeio.

Para se ter ideia, em 2016 o Brasil foi considerado o segundo país que mais usa o aplicativo “Whatsapp” no mundo, em um levantamento do Mobile Ecosystem Forum, perdendo apenas para a África do Sul. Mas até que ponto isso pode ser saudável?

Te convido a pensar no trânsito: fluxo intenso, semáforos que abrem e fecham, faixas de pedestres e pessoas que circulam o tempo todo – seja com algum tipo de veículo ou caminhando. Isso tudo faz parte do trânsito, e para que ele funcione de forma segura, os envolvidos precisam cooperar.

Mas, pense comigo, quantas pessoas você já viu dirigindo e falando no telefone? Respondendo mensagens? E os pedestres, quantos você já viu mexendo no celular enquanto caminham, a ponto de não enxergarem seus obstáculos do caminho?

Atualmente, segundo a ABRAMET – Associação Brasileira de Medicina do Tráfego a terceira maior causa de morte no trânsito no Brasil ocorrem por acidente de trânsito por uso indevido de celular. Isso lhe preocupa? Talvez as pessoas tenham chegado a um nível em que responder uma mensagem vale mais do que a própria vida, e resultado disso, é este índice.

Percebe-se que o uso excessivo da tecnologia preza muito mais pelo “ter” do que pelo “ser”, pois quanto mais tecnológico for o aparelho celular, melhor. Até que ponto vale a pena deixar de viver o aqui e agora, para se submeter a um pequeno aparelho que te conecta ao mundo, mas pode desconectar-se você de ti mesmo? Fica o questionamento.

Para finalizar, volto a esclarecer. Usar redes sociais e a tecnologia ao nosso favor é bacana! E não há nada de errado com isso. O problema é quando isso acomete a vida das pessoas a ponto de lhes causar sofrimento, impossibilitar que realizem suas atividades rotineiras, acabe colocando suas vidas em risco, e até mesmo, ir causando problemas psicológicos ao longo do tempo. E você, tem cuidado mais do telefone ou de si mesmo?

Participe conosco! Caso tenhas alguma dúvida ou sugestão, fique à vontade para entrar em contato pelo e-mail gihh_b@hotmail.com. Receberei com afeto! Abraço fraterno!