Redação Portal Veneza

O que o ser humano tem feito para preservar e dar sustentabilidade à vida no planeta e em sociedade? Temas como este, e muitos outros, foram colocados em evidência na tarde desta quarta-feira, 22, na da roda de conversa “Ideias para adiar o fim do mundo”, conduzida pelo ambientalista e escritor brasileiro, Ailton Alves Lacerda Krenak, líder de movimentos pelos povos originários reconhecido em todo o mundo. O diálogo foi proposto dentro da Escola de Inverno do curso de História da Unesc, e contou com a contribuição de professores da Universidade.

Conforme a reitora da Unesc, Luciane Bisognin Ceretta, a oportunidade de ouvir o convidado tem grande valor para o momento vivido pela humanidade, e fomenta reflexões sobre a percepção da humanidade e o espaço onde ela habita. “Ailton é uma pessoa que compartilha pensamentos necessários e de grande significado nos dias de hoje. Um homem a frente de seu tempo, que demonstra, em suas ideias, a importância de nosso bom convívio com o ambiente, e consequentemente nos faz refletir sobre o mundo, seus recursos naturais e a vida”, destacou.

Durante os diálogos, Krenak reforçou o aspecto de que a humanidade não está separada da natureza, pensamento presente no seu livro “Ideias para adiar o fim do mundo”, que inspirou o evento. “A percepção contrária, consolidada no dia a dia da sociedade, seria a origem do descaso socioambiental, e de outros problemas criados e enfrentados pela sociedade. A maneira com que tratamos nossa natureza é um presente que deixaremos para as próximas gerações, assim como o momento em que vivemos hoje foi construído lá na década de 80”, explica.

Segundo o escritor e ambientalista, somente o reconhecimento da diversidade e a recusa da ideia do ser humano como superior aos demais seres podem ressignificar a existência e mudar a direção do planeta. “Nós estamos predando o mundo em que vivemos, e devastando as possíveis relações de afeto, convivência e colaboração entre humanidade e natureza. Na ideia de projetar um único modelo de existência no mundo, estamos acelerando este processo como uma economia de sustentabilidade dentro de uma vida de consumo. O ser humano criou uma lógica entre adquirir coisas e bem-estar, que estar radicalmente oposta do sentido do bem-viver”, afirma.

Além das reflexões trazidas pelo convidado, os participantes do evento puderam apresentar interpretações e propor pontos de debate. Carlos Renato Carola, professor da Unesc e um dos idealizadores do momento, reafirmou que Krenak tem participação pontual em importantes capítulos da história do Brasil, como na construção da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, e ouvi-lo é mais importante do que nunca.

Paralelamente ao eixo central do evento, também foram abordados assuntos relacionados aos movimentos sociais contra o racismo, história do brasil e dos povos originários, o desafio sanitário do coronavírus, o papel do índio na sociedade, apropriação e modificação de cultura e muitos outros.

Escola de Inverno

A roda de conversa desta quarta-feira foi o terceiro evento dentro da Escola de Inverno, idealizada pelo curso de História da Unesc. Com mais de 20 encontros, a proposta se estende até o dia 7 de agosto, com oficinas, palestras e rodas de conversas. Assuntos como direitos humanos e educação ainda serão colocados em destaque, sempre relacionados à história.

Todos os eventos são transmitidos ao vivo, em Youtube.com/unesctv. Clique aqui para acessar a programão.