A solitária morte neste tempo de pandemia
Colunistas Margarete Ugioni

A solitária morte neste tempo de pandemia

Eu sei que o tema da minha conversa de hoje não é muito agradável pra esta época do ano.

O número de contaminados e mortes pelo Covid-19 aumenta de forma desenfreada e parece que esta segunda onda, ou ainda é a fase mais grave da primeira não sei, está mais forte e fatal, se antes não conhecíamos um parente ou vizinho doente agora começamos a perder amigos e vizinhos.

Os hospitais estão superlotados e pessoas estão morrendo sem ter o atendimento adequado para esta maldita doença.

O mais triste é que além dos sintomas do Covid, que dizem ser muito ruim, a pessoa doente entra no hospital e, pelo menor indício de que possa ser Covid,  ela é isolada e consequentemente não vê mais familiares e parentes e vice versa.

É um tratamento solitário para o doente contaminado, pois ele pode contar apenas com o carinho e dedicação dos agentes de saúde que o assiste na enfermidade. A família fica em casa de mãos atadas, numa angústia e sofrimento por não poder ver seu ente querido hospitalizado, visualizar por um celular, por exemplo, já acalmava nosso coração, mas não pode.

O doente se tiver sorte se recupera e volta para casa e para o convívio familiar, mas quando não consegue superar a doença ele morre sozinho, não se despede da família e nem a família pode estar ao lado dele no momento da sua morte.

É muito triste e solitária esta passagem, agradeço a Deus todos os dias pela graça de ter estado ao lado da minha mãe quando ela nos deixou. Dá paz de espírito para quem fica. Mas, infelizmente, muitos doentes não podem ter esta forma mais humanizada de partir.

E se não bastasse nem um velório digno podemos promover. O velório com ou sem Covid como causa da morte, tem muitas restrições. Não podemos nem dar um abraço de conforto aos familiares, temos que fazer um velório reduzido no seu tempo; amigos e familiares precisam ficar de longe, sem aproximação para evitar aglomeração, ou muitos nem comparecem para restringir aos familiares este momento de dor e despedida.

E ainda tem muita gente que nega esta doença maldita que está abatendo sem piedade a raça humana. O pior é que muitos inocentes estão morrendo pela imprudência de outros. Eu já falei aqui neste espaço e continuo a dizer: estou com muito medo.

Não estou sendo exagerada não, eu sei o que estou dizendo, pois ontem mesmo perdi um parente. E como diz um conhecido meu: eu não queria morrer neste tempo.

Vamos nos cuidar e orar, cada um com a sua crença, para que nos livremos deste mal e de outros tantos neste tempo de pandemia.

Um abraço e fiquem com Deus.

Maria Margarete Olimpio Ugioni

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