A psicoterapia fornece “receita de bolo”?

Quem aí já pegou aquela receita do bolo gostoso da vovó e reproduziu em casa? Fica uma delícia, não é mesmo? Hmmm… Se bobear dá para sentir o cheirinho! Lá contém os ingredientes, o modo de preparo e o tempo de cozimento: o que facilita na reprodução da receita, não é mesmo? Pois é! Fácil de ser reproduzida, a receita de bolo pode ser compartilhada com outras pessoas, e estas podem fazer um bolo igualzinho ao seu seguindo o passo a passo.

Mas o que a psicoterapia tem a ver com isso, Giovana?

Nada. Justamente isso. Muitas pessoas chegam até o consultório solicitando uma “receita de bolo”, um “manual para viver feliz todos os dias”, ou um chá que “tire a ansiedade de forma completa”. Essas coisas não existem: é utopia. A psicoterapia é justamente o contrário da receita de bolo: podemos até aprender algumas coisas com outras pessoas, mas ali no setting terapêutico você aprende consigo mesmo (a): com sua história de vida, com sua construção enquanto pessoa, com seus aspectos positivos e aqueles que necessitam ser desenvolvidos – até porque ninguém é perfeito, não é mesmo?

Muitos profissionais ainda anunciam o cuidado com a saúde mental como algo superficial. “Curo sua ansiedade em três encontros”:

Oi? Como assim?

Desconfie quando ver anúncios que prometem algo que não sabem se vão cumprir, justamente porque você é um ser humano único, ninguém vivenciou as SUAS experiências além de VOCÊ MESMO, não é verdade? Então como alguém vai lhe afirmar com toda a convicção de que em três encontros resolverá seus problemas?

Dito isso, reforço: está tudo bem pedir receitas de bolo emprestadas e reproduzi-las, e é até gostoso para preparar um belo café. Mas em psicoterapia e outras especialidades da área da saúde, o aprendizado é individual, promove crescimento pessoal e profissional, sendo um processo único para cada caso. Por isso, o terapeuta estuda cada caso atendido, se prepara e atende semanalmente a pessoa que está buscando o serviço.

Mas psicólogo não lê mentes? Não tem bola de cristal?

Obviamente não, seria muito mais fácil se fosse dessa forma, mas não é. Fique tranquilo(a). Ele é um ser humano com você, porém, estudou e se capacitou em Psicologia e por isso se construiu enquanto profissional psicoterapeuta. Desta forma, é importante que você saiba que para o bom andamento da psicoterapia não depende apenas dele: mas também de você!

Costumo falar aos pacientes: o profissional entra com o conhecimento e manejo técnico, enquanto o paciente entra com a demanda e as questões a serem trabalhadas. Toda dor é legítima, todo sofrimento é legítimo, e quem é o especialista nisso, senão quem a vivenciou?

Reforço a fala de que as pessoas são sujeitos únicos diante de sua história de vida e construção social, cada sujeito possui sua régua, seu limite, sua dor: e isso tudo é legítimo – é respeitado sem julgamentos, seja qual for a demanda.

Sem receita de bolo, sem receita milagrosa e sem bola de cristal: sessão a sessão vai sendo construído um vínculo terapêutico, onde paciente e terapeuta se encontram para promover a melhoria na qualidade de vida do paciente. A cada sessão aparecem novas descobertas, novo desbravamentos de conteúdos que antes causavam sofrimento e que hoje podem tornar-se conquistas. Há a reelaboração de conteúdo, e muito, muito cuidado.

Psicoterapia requer que: você consiga olhar para suas fraquezas e fortalezas, reconhecendo que não é perfeito e que pode melhorar em alguns aspectos. A psicoterapia leva você a revisitar seus traumas a fim de trabalha-los, e de se olhar de forma completa, pois é tão fácil olharmos para o outro né? Quando olhamos para nós, o negócio muda de figura.

Você não é igual a todo mundo, por isso o psicólogo não tem uma receita de bolo para você ficar feliz todos os dias. Mas você pode fazer a sua própria receita, para uso próprio: só sua. Se cuida, viu?

Participe conosco! Envie suas dúvidas ou sugestões para o e-mail gihh_b@hotmail.com Fico à disposição também no Instagram: @psicologagiovanacbaroni

A psicoterapia fornece “receita de bolo”?

A psicoterapia fornece “receita de bolo”?