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🕒 Atualizado em 01/10 às 18h28

Terapia hormonal pode ajudar a proteger os ossos na menopausa

A terapia hormonal na menopausa pode ajudar a preservar a saúde dos ossos e reduzir o risco de perda de massa óssea, reforça um estudo apresentado em junho durante o ENDO 2026, congresso anual da Sociedade de Endocrinologia dos Estados Unidos. A pesquisa mostra que mulheres em tratamento tiveram 69% menos chance de apresentar baixa densidade mineral óssea em comparação às que não utilizavam hormônios.

O estudo avaliou 387 mulheres na pós-menopausa submetidas à densitometria óssea (DEXA) entre 2021 e 2025. Entre as participantes que faziam terapia hormonal, 31,8% apresentavam baixa densidade mineral óssea, contra 56,2% entre as não usuárias. Além disso, as mulheres tratadas apresentaram melhores índices de densidade óssea na coluna lombar e no quadril, mesmo após ajustes para fatores como idade, tempo de menopausa, níveis de vitamina D, tabagismo e outras condições clínicas.

Essa relação se deve ao principal hormônio do organismo feminino: o estrogênio. “Ele ajuda a manter o equilíbrio entre a formação e a reabsorção do osso. Quando sua produção cai na menopausa, aumenta a atividade das células responsáveis pela reabsorção óssea, acelerando a perda de massa óssea”, explica a ginecologista Helena Hachul, do Einstein Hospital Israelita.

A queda hormonal ocorre principalmente durante a transição para a menopausa e nos primeiros cinco anos após a última menstruação. Depois disso, o processo continua, mas costuma ocorrer de forma mais lenta. É justamente por isso que esse período representa uma importante “janela” para prevenir a osteoporose e suas complicações.

Além da densidade mineral óssea, outros fatores influenciam nesse risco, como a idade, a qualidade do tecido ósseo, doenças associadas, perda de massa muscular e uso de alguns tipos de medicamentos. Os próprios autores da pesquisa destacam que, apesar da associação entre o uso de terapia hormonal e melhor saúde óssea, não é possível afirmar que o tratamento foi o único responsável pelos resultados.

“Existe o chamado viés de seleção: mulheres que utilizam terapia hormonal podem ter melhor acesso a acompanhamento médico, maior adesão à atividade física, alimentação mais adequada, suplementação, menor prevalência de comorbidades. Mesmo com ajustes estatísticos, sempre pode haver fatores de confusão”, observa Hachul.

Toda mulher pode fazer?

A reposição hormonal não deve ser indicada indiscriminadamente para todas as mulheres na menopausa. A melhor relação entre benefícios e riscos costuma ocorrer em pacientes com menos de 60 anos ou até dez anos após a menopausa, especialmente quando apresentam sintomas como ondas de calor (os famosos fogachos), alterações do sono e síndrome geniturinária.

Entre as contraindicações estão histórico de câncer de mama, trombose, acidente vascular cerebral (AVC), doença hepática ativa ou alto risco cardiovascular, por exemplo. Por isso, a decisão pelo tratamento deve ser individualizada e tomada após avaliação médica.

Independentemente do uso de hormônios, hábitos saudáveis são essenciais para manter a saúde óssea ao longo do envelhecimento. Prática regular de exercícios, especialmente musculação e atividades com carga, boa ingestão de proteína e cálcio, níveis adequados de vitamina D, além da prevenção de quedas, fazem parte das estratégias para reduzir o risco de osteoporose e fraturas.

Para mulheres que não podem fazer terapia hormonal, também existem medicamentos específicos para prevenção e tratamento da osteoporose. A escolha do tratamento, no entanto, depende da avaliação individual de cada paciente, considerando fatores como idade, densidade óssea e risco de fraturas.