
A história do neoveneziano Alexandre Steiner Bortolotto é marcada por coragem, trabalho duro e determinação. Natural de Nova Veneza e morador de São Bento Baixo, ele deixou o Brasil em 14 de agosto de 2010 em busca de uma nova vida nos Estados Unidos. Até então, trabalhava na Coopera, em Forquilhinha, mas já não se sentia realizado. “Eu não me sentia mais feliz. Quando surgiu a oportunidade, não pensei duas vezes”, relembra. Em pouco mais de um mês após a decisão, já estava em solo americano, enfrentando o desafio de recomeçar sem falar inglês.
Nos primeiros anos, Alexandre começou do zero na carpintaria, atuando como ajudante em obras. Entre dificuldades com a língua e adaptação ao novo país, encontrou na dedicação diária o caminho para crescer. Estudava inglês à noite e, durante o dia, aprendia a profissão na prática. Com o passar do tempo, decidiu avançar na carreira e em 2019 iniciou sua preparação para obter a licença de contractor. “Eu viajava toda semana para Boston, estudava o dia inteiro e voltava. Foi um ano de muita dedicação.” Em 2020, conquistou a licença, abriu sua própria empresa e passou a executar projetos maiores, chegando à construção de uma casa avaliada em 6,5 milhões de dólares.
Paralelamente à construção civil, um sonho antigo voltou a ganhar força: tornar-se bombeiro. Inspirado desde a infância e motivado após assistir ao filme “Anjos da Vida”, decidiu procurar o batalhão local e se ofereceu como voluntário. Mesmo com a barreira do idioma, foi aceito e passou a participar dos treinamentos. “Eu não entendia quase nada no começo, mas não desisti.” Após quatro meses, recebeu a oportunidade de ingressar na academia de bombeiros de Massachusetts, enfrentando uma rotina intensa de estudos e exigências físicas. Dos 27 alunos que iniciaram, apenas 12 concluíram, entre eles, Alexandre.
Por trás de cada conquista está sua maior motivação: o filho, que está no espectro autista. “Nunca foi por mim, sempre foi por ele. É ele que me dá força para continuar”, afirma. Prestes a se formar bombeiro no dia 31 de maio, Alexandre carrega uma trajetória que reforça que, mesmo longe de casa, é possível reconstruir sonhos e alcançar objetivos que um dia pareciam impossíveis.



