Em uma sociedade cronicamente online, a privacidade passou a adquirir um novo significado. Hoje, as pessoas compartilham não apenas momentos especiais, mas cada passo de seu dia – e isso pode até influenciar outras pessoas da casa.
Influencers e criadores de conteúdo digital, por exemplo, costumam trabalhar de diversos lugares, inclusive, e muitas vezes, de dentro do seu espaço pessoal e mostrando a rotina de outras pessoas que podem viver junto. Esse tipo de situação não é restrita a quem escolheu esse tipo de trabalho, mas pode acontecer com qualquer um de nós que compartilhamos detalhes do nosso dia a dia.
Essas informações que compartilhamos na internet, muitas vezes sem querer, podem colocar a privacidade e a segurança em risco. Proteger seus dados é importante e vai além de senhas, acessos de email ou aplicativos; incluem também detalhes como localização e compartilhamento da própria rotina.
Até onde nossos dados compartilhados no digital afetam a privacidade
É comum passar despercebido a quantidade de informações que compartilhamos no digital. Costumamos nos assustar com situações de vazamento de dados de empresas, mas o quanto estamos cientes sobre o que mostramos e divulgamos por conta própria?
Com a LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados, nossa segurança online aumentou. Muitos aplicativos e sites pedem permissões que antes não existiam, e o compartilhamento de dados entre empresas também é regulamentado, mas ainda assim podemos nos expor demais – principalmente a população mais velha, ou que têm pouca familiaridade com o ambiente digital, e crianças e adolescentes.
Fotos, por exemplo, podem contar mais do que deviam. Um uniforme e nome da escola, placa do carro, fachada do prédio, pontos de referência do bairro, hábitos de pessoas da casa (por exemplo: rotina de academia). O “tempo real” com localização e horário marcados, apesar de ser bom para o algoritmo, pode colocar sua segurança em risco.
Os riscos de se expor online são vários, e golpes de engenharia social se aproveitam muito dos dados das vítimas para encaminhar emails e mensagens falsas, usar chantagem e outros. Apesar disso, existem formas de se proteger e àqueles que vivem junto com você.
Mudanças de hábito para se proteger online
Ficar ciente de tudo que você compartilha e quantas pessoas estão envolvidas em uma publicação já é um começo. Outra ação que você deve sempre tomar antes dar permissões em sites e aplicativos é ler exatamente o que estão pedindo: muitos boxes que exigem um “check” não precisam e nem devem ser preenchidos.
No que você deve prestar mais atenção:
- Compartilhamento de informações pessoais por mensagens, mesmo que seja para alguém próximo. Apague as informações depois ou mande como mensagem única;
- Evite compartilhar dados em redes sociais e só o necessário nos aplicativos e sites: bloqueie sua localização sempre que possível e não deixe cartões salvos;
- Evite criar links compartilhados com permissão geral e criptografe arquivos importantes antes de enviá-los;
- Desative as notificações na tela bloqueada, principalmente de bancos e WhatsApp;
- Não clique em links desconhecidos, estranhos ou duvidosos, nem QR codes;
- Não acesse nenhum aplicativo de banco ou que contém dados importantes em WiFi público;
- Use senhas fortes e logins diferenciados em todos os acessos.
O cuidado com crianças, adolescentes e idosos é ainda maior. Repasse as informações de segurança a pessoas próximas e tenha em mente que muitas pessoas podem ver o que você está publicando online. Oriente e utilize aplicativos que possuem proteção de dados garantida e que reforcem a segurança dos usuários.

