Caderno Proibido, de Alba de Céspedes, é uma leitura que incomoda. Escrito nos anos 1950, é o diário da personagem Valeria Cossati que escreve por cerca de seis meses sobre sua vida, o que acontece e o que sente. Ela é casada, tem um filho e uma filha adultos, trabalha para colaborar no sustento da família, tem todas as responsabilidades do serviço doméstico e não chegou aos 45 anos.
A compra desse caderno foi repentina e ela o mantém escondido. A sensação de medo de ser descoberta a persegue por todos os momentos em que se dedica ao diário. Mesmo assim, conforme os dias vão passando e ela escrevendo, suas atitudes e formas de ver o mundo começam a mudar. Valeria consegue refletir sobre seu casamento, seu trabalho, seu papel de mãe e ainda seu papel como mulher. Escrever no caderno é se descobrir e Valeria, ao mesmo tempo que fica assustada com que descobre de si mesma, segue vivendo momentos diferentes.
Em alguns momentos não gosta do que percebe, sente que se anulou, entende como chegou nesse momento de sua vida e o seu único refúgio, o momento para si mesma, é quando se entrega a sua escrita.
Para mim, essa foi uma leitura mais lenta para absorver e refletir tudo o que a autora quer mostrar e ainda tentar imaginar as situações na época em que foi escrito. É um livro intenso, importante e bastante interessante.
Os filhos de Valeria Cossati também são personagens importantes no enredo. Sua filha entendeu que para mudar o roteiro que se destinava teria que enfrentar situações e pessoas, enquanto o filho continuou no padrão da época. Valeria é uma típica mulher de seu tempo, sua vida não teria nada de diferente, foi moldada pela sociedade e pelo que acreditava que era o certo a ser feito. Então chegou o caderno, suas reflexões, mas como tudo termina é uma decisão da própria protagonista que vê muito a ser perdido e também muito a ganhar. Como ela resolveu enfrentar?
Caderno Proibido, de Alba de Céspedes – 288 páginas.

