Giovana Colombo Baroni
Psicóloga CRP 12/17683

O ser humano é um ser relacional: ou seja, durante toda sua vida, ele se relaciona com outros seres humanos, sendo o homem incapaz de viver isolado da sua espécie, necessitando do outro para sobreviver. Exemplo disso é o bebê, que nasce e precisa ser alimentado por outro ser humano para continuar vivo. Sendo essa necessidade de estar em relação com o outro, segue durante as demais etapas da vida de cada pessoa.

Te convido hoje a refletir um pouco sobre os relacionamentos. Relacionamento é ato ou efeito de relacionar-se, ainda que essas relações vivenciadas por cada pessoa possam ser saudáveis ou não. Mas deixa eu te perguntar, você sabe identificar qual tipo de relação você possui com o outro? Hoje vamos falar sobre relacionamentos abusivos.

Após a criação da Lei Maria da Penha – Lei nº 11.340/2006 cada vez mais ouve-se falar em relacionamentos abusivos, sendo que essa lei foi criada diante das demandas de violência doméstica que aparecem a cada dia. Feminicídios, violências, abusos, enfim: formas de violência contra a mulher.

É bastante comum ouvirmos falar em relacionamentos amorosos com o agravante de relacionamento abusivo, porém, precisamos ampliar a visão e compreender que relacionamento abusivo não restringe-se ao gênero feminino, nem tampouco nas relações conjugais, mas devemos considerar ainda as demais relações que fazem parte da vida do sujeito, como relações familiares (entre mãe e filha, enteado e padrasto, primos…), de amigos, entre chefe e funcionário, entre outras.

Há uma peculiaridade muito característica nas relações abusivas: a manipulação. O abusador, muitas vezes, tem a necessidade de sentir-se superior ao outro e assim, lhe violenta de alguma forma. Podemos pensar em abuso emocional, agressões verbais, perseguição, abuso econômico, abuso físico, comportamentos agressivos, ameaças, violência sexual, proibições (de sair de casa, por exemplo.)

A relação abusiva torna-se um espaço de grande tensão para a vítima, o que pode resultar, a longo prazo, em sofrimento psicológico pelo fato de estar, o tempo todo, precisando moldar-se a um padrão de comportamento estipulado por alguém. E, acima de tudo, a proibição de ser você mesmo.

Muitas vezes o abusador pode usar de maneiras sutis de manter o controle sobre o outro, fazendo com que o mesmo nem perceba que está sendo abusado de alguma forma e compreenda o abuso como uma forma de amor. Cada relação é única e particular, mas existem alguns sinais que podem denunciar uma relação abusiva e que são caracterizados por limitar o outro: decidir o que o outro vai vestir, dizer que ele está “louco” por pensar de determinada forma, menosprezá-lo e dizer a ele que não presta para nada, que ele não é capaz de ser amado, afastá-lo das pessoas, ameaça-lo, ser excessivamente ciumento e controlador e querer que ele seja quem eu quero.

Enquanto que nas relações saudáveis há diálogo sobre questões positivas e negativas da relação, respeito mútuo, erros e acertos, tolerância com o outro, abertura para discussões construtivas e reciprocidade. Nas relações abusivas geralmente os diálogos são para colocar a culpa no outro, menosprezar, inferiorizar e ameaçar, agredir (independente da forma de agressão), proibir o outro de fazer coisas que ele gosta/sonha fazer, entre outras questões. Nas relações abusivas há muito limite, e muitas vezes, o abusado deixa de ser ele mesmo para ser o que o abusador quer, diante das circunstâncias e da dinâmica da relação.

A longo prazo, esses relacionamentos podem resultar em sofrimento psicológico, alguns sintomas como depressão, ansiedade, transtornos específicos, entre outras demandas que surgem em cada sujeito. É importante compreender que independentemente do tipo de relação que está sendo abusiva, pode ser que haja envolvimento afetivo e emocional. Se isso ocorre por exemplo na relação entre irmãos, ao laços emocionais podem ser maiores, sendo mais difícil por vezes identificar ou conseguir promover alguma mudança na relação.

Antes de qualquer tipo de julgamento, quem está dentro de uma relação abusiva necessita de apoio, suporte e cuidado. Assim, pode-se pensar em estratégias para mudar essa realidade de sofrimento: tentativa de conversar com o abusador, a fim de verificar se há desejo de mudança da parte dele, romper os vínculos com o abusador, para preservar e cuidar da sua saúde emocional, conversar com pessoas nas quais você confia, a fim de que elas possam lhe ofertar o cuidado que você precisa no momento, e, além disso, caso o sofrimento esteja lhe afetando psicologicamente, a indicação é a psicoterapia, a fim de resolver essas questões pessoais e prosseguir a vida.  Poderíamos discutir de forma mais alongada sobre isso, já que é um tema bastante atual e pertinente, e com certeza iremos revê-lo novamente em outro momento.

Caso você perceba que está em uma relação abusiva, tenha calma, procure alguém de confiança para conversar e dividir seus pensamentos, e aos poucos, procure visualizar o que é melhor para você neste momento.

“Não importa quem apagou a sua luz. O que importa é que você sempre pode acendê-la.” – Autor Desconhecido.

Participe conosco! Caso tenhas alguma dúvida ou sugestão, fique à vontade para entrar em contato pelo e-mail gihh_b@hotmail.com. Receberei com afeto! Abraço fraterno!