Leitor de almas
Trabalho horas a fio na frente de um computador e de vez em quanto me passam umas idéias malucas. Dias destes ministrando um curso de inclusão Digital, e vendo as alunas muito compenetradas nas suas tarefas, fiquei imaginando como seria se o computador tivesse um “leitor de almas”. Parece engraçado, mas como temos um leitor de DVD, de CD, de disquete, de Pen Drive porque não um leitor de almas?
Passamos horas diante de uma máquina, isolados do mundo real e mergulhados no mundo virtual, mentimos sobre nossa verdadeira identidade – não me digam que “teclam” a verdade sempre? Se o fazem estão correndo algum risco - mentimos sobre nossas paixões, nosso tipo físico, nossa idade. Mentir é errado, mas às vezes é acertado.
Quando olhamos para alguém não conseguimos atingir a plenitude da sua alma, não conseguimos ir fundo no seu coração e saber o que se passa dentro dela. Ninguém traz escrito na testa seu verdadeiro eu, sua verdadeira personalidade; o mundo seria bem melhor se pudéssemos nos defender daqueles que não merecem nossa confiança, nosso amor. Viveríamos bem melhor se pudéssemos classificar as pessoas pelo seu caráter, se tivéssemos condições de separar o joio do trigo; mas, Infelizmente, as pessoas são classificadas, porém classificadas e discriminadas por sua classe e condição social.
Ao sentar diante de um computador e este tivesse um leitor de almas tenho certeza que teríamos “memórias” esquecidas, “fontes” queimadas, “discos” arranhados, “ratos” fugindo de vergonha, vergonha do ser humano que se apresenta, do ser de alma impura e moral manchada revelado pela inteligência de outro ser humano que anseia invadir a privacidade da alma.
Invadir pra quê? Pra se defender? Pra procurar compreender? Para procurar explicações para atitudes irracionais, atitudes que nem a própria razão explica? Sim. Explicar comportamentos e ações oriundos de pessoas ditas “animais humanos” que nem mesmo um animal irracional imitaria, como por exemplo, atentar contra sua própria cria. Ainda dizem que somos seres superiores!
Como seria se o computador revelasse minha áurea e não minha imagem? Será que teríamos coragem de enfrentar a máquina?
Margarete Ugioni
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