Aos 97 anos, completa 98 em abril, Bruno Ghislandi é o remanescente de uma geração que viu Nova Veneza nascer.
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Nova Veneza - Aos 97 anos, completa 98 em abril, Bruno Ghislandi é o remanescente de uma geração que viu Nova Veneza nascer. Com uma lucidez impressionante este filho de imigrantes representa a história viva do município e ainda lembra do tempo que a hoje terra da gastronomia era apenas uma pequena vila. "Lembro de Nova Veneza começando. Naquela época para a gente ir na pracinha tinha que atravessar o rio com uma canoa, porque não tinha ponte. Os meios de transporte eram só o carro de boi e os cavalos", recorda o nono Naco, que não esquece o sufoco passado por ele nesta travessia de canoa. "Naquela época tinha um canoeiro, que era pago para atravessar as pessoas.Uma vez estávamos indo para a escola eu, minha irmã e outro irmão. Quando chegamos no rio minha irmã disse que não precisava chamar o canoeiro porque ela já sabia fazer isso. Só que tinha chovido e o rio estava com muita correnteza. Acabamos passando um grande susto e precisamos ser socorridos", lembra.
Ele conta que a história da família na região surgiu graças a um grande amor. No início da imigração italiana para Nova Veneza a jovem Adélia Ronchi deixou a Itália e veio para a região com sua família. Apaixonado César Ghislandi também deixou a Europa e rumou para o Brasil atrás da amada. "Meu pai e minha mãe já namoravam lá. Ele gostava muito dela e quando ela veio para o Brasil ele não agüentou e veio atrás. Meu pai fez sucesso aqui. Ele era um pedreiro de mão cheia", explica.
Oriundo de uma família de 12 irmãos Bruno Ghislandi sua boa saúde a uma receita bastante simples. "Segredo é o trabalho. Eu fiz muita coisa na vida e até hoje tenho muita disposição. Além de trabalhar também tomo um gole de uísque todo dia. Faz bem para a circulação, mas tem que ser um golinho. Eu estou bem e não sinto nada. O único problema é que a essa idade a gente fica fraco das pernas", brinca.
Naco lembra ainda que para se viver muito é preciso saber aproveitar bem a melhor coisa da vida. Um item que segundo ele anda escasso nos dias atuais. "A melhor coisa da vida é a amizade verdadeira. Essa ajuda a viver bem. O problema é que está em falta. Não se vê mais isso. Antigamente a gente passava o dia jogando baralho e mora e ninguém brigava. Hoje as amizades não são mais assim. É muita cachaça", conta Naco, que ganhou o apelido de um velho amigo. "Casei e fui morar em Vila Maria. Lá conheci um amigo que para qualquer coisa grande que ele chamava de "naco". Acabei me acostumando.
Quando percebi estava falando igual e ai ganhei o apelido", explica o
aposentado, que emprestou o apelido para a linha de produtos Naco, criada
pelos netos, proprietários da rede Bistek.
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