Ele sempre foi apaixonado por história.
|
Nova Veneza - Ele sempre foi apaixonado por história. Hoje, aos 75 anos, o
homem que apreendeu com o avô a cultivar e preservar as peças usadas por
seus antepassados resolveu transformar esta dedicação em um pequeno museu.
A construção rústica, toda em madeira, fica próximo ao centro de Nova Veneza e
já tem atraído a atenção dos curiosos. "É coisa pequena ainda. São peças que
eu tinha guardadas e que estou colocando aqui para que as pessoas possam
conhecer", argumenta o aposentado Mário Moro.
No pequeno museu, construído em frente a sua residência, seu Mário guarda
principalmente utensílios domésticos e peças usadas para o trabalho na
lavoura. São gamelas e outros equipamentos improvisados para facilitar a
vida dos imigrantes que desbravaram e colonizaram a região no final do
século XIX. Entre estas peças as preferidas de Moro são ferramentas usadas
por seu avô para esculpir uma imagem de cristo. "É a imagem que está no
final da via Sacra aqui em Nova Veneza. Estas ferramentas têm mais de um
século de história e que guardo com muito orgulho", recorda.
Além de contar a história das ferramentas o aposentado não deixa escapar a
oportunidade de falar da peça confeccionada por seu avô. "Ele gostava de
trabalhar com madeira e fez esta imagem de Cristo que tem uma curiosidade.
O
rosto da imagem lembra o rosto do irmão do meu avô. Ele não pode vir para o
Brasil com o restante da família e acabou morrendo na Itália", explica.
Com uma memória invejável seu Mário tem na ponta da língua as peças
guardadas em seu museu. "Tenho muitas fotos antigas, caldeirões, tem também
um tear que era usado para fiar a lã e moedas. Aliás, a peça mais antiga é
uma moeda de 1810", recorda o aposentado que não recusa novas peças, mas tem
é claro sua preferência. "Se alguém tiver alguma peça antiga que queira
deixar aqui eu aceito. O problema é que o local é pequeno e a peça não pode
ser muito grande", argumenta.
Algumas peças não estão no museu por falta de espaço, mas também reservam
muito da história de Nova Veneza. Peças como as encontradas no primeiro
cemitério do município. O local, achado pelo padre Quinto Baldessar, foi
visitado várias vezes por seu Mário. "Tinha muita coisa lá, esquecida e
escrita em latim. Falaram que iam recuperar o local, mas não ouvi mais nada
sobre isso. Eu não lembro do cemitério, mas lembro da minha mãe falando
sobre ele", conta.
Além de contar a história das ferramentas o aposentado não deixa escapar a oportunidade de falar da peça confeccionada por seu avô.
|
Quem visita o museu conhece também outras paixões de seu Mário Moro. Basta
entrar no local para se deparar com vários livros e também um belo chamativo
presépio. "Gosto muito livros, a leitura é muito importante. Já por
presépios eu sou apaixonado. Desde criança sempre fui muito ligado a essas
peças.
Adoro montar e faço questão de deixa-los, o mais bonito possível.
Acho que esse também é um gosto de que herdei dos meus avós, apreendi isso
com eles. Outra coisa que também gosto e faço sempre que tenho tempo é
construir algumas peças, principalmente em madeira", reforça Moro.
A "Pequena Recordação", como o local foi batizado pelo próprio Mário Moro
está aberto a visitação todos os dias. "Se eu não estiver aqui na frente é
só chamar que eu mostro", garante o "historiador", sempre disposto a
oferecer uma rápida viagem pelo tempo e também um papo sem cobrar nada por
isso.
|